Francisco Mattos - 27/09/24
Não é porque no meu círculo social, de amigos e até mesmo de conhecidos, só tenham pessoas livres e de bons costumes, honestas, trabalhadoras, comprometidas com a vida, que o mundo todo seja assim.
Vou mais além: julgo que no mundo tenha mais gente com dedo podre do que gente boa.
MUNDOENTE
"O pulso ainda pulsa...
o pulso ainda pulsa."¹
Síndrome do pânico. Medo. "Sociofobia". "Olho no padre, outro na missa" ou "olho no pastor, outro no culto". Parodiando Titãs, transita-se, nesses tempos de violência, entre vida e morte, como num piscar de olhos. Tudo isso nos remete à "o bêbado e o equilibrista"², quando, no bojo da linda e icônica canção, diz
"(...)A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar(...)"
Sustenta-se que os compositores da música acima, já, lá para os idos da década de 70, profetizaram que o povo brasileiro seria expert em slackline . Equilibrar para não cair.
AS MALÍCIAS SÃO GRANDES... AS MILÍCIAS TAMBÉM
Parcela significativa que alcança, há muito, 3/4 da população brasileira (não se arrisca por falta de dados no momento, ampliar para o mundo todo) não tem discernimento suficiente e muitos nem têm interesse, para saber, por exemplo, que o câncer, terrível doença que dizima muita gente, já tem, nos grandes e ricos laboratórios farmacêuticos, o antídoto, a droga que anule, por completo, as células cancerígenas, mas, que não pode ser divulgado, popularizado, para não enfraquecer a indústria da morte. Dói saber que isso exista. Dói mais ainda saber, que, aproximadamente , somente 25% da população mundial saiba disso.
"Indústrias" outras surgem aos quatro cantos do nosso país. Uma delas que mais causa espécie é a "indústria da fome, da miserabilidade", produzida pela ausência de políticas públicas, do poder público. E onde não entra o poder público, brota, publicamente, o poder de terceiros, que cheios de malícias, criam o poder paralelo, faz borbulhar as milícias. Essas se instalam onde já existiam os traficantes de drogas e a luta pela conquista de espaço entre esses (onde o poder público não entra, sendo proibido por eles), gera nos cidadãos e cidadãs citados lá no início desse texto, a sensação de andar, quando pode, pelas cidades que fazem parte, se equilibrando numa slackline.
Alguém um dia, percebendo a boa e conveniente mania de nunca, num bar, sentar de costas para a rua, quis saber os motivos dessa prática. A resposta talvez assuste, mas tem nexo: num espaço social, seja ele qual for, onde você não conhece todos que o frequenta, têm pessoas boas e outras não. Se acontece de algum desafeto quiser fazer execução de um "dedo podre", que esteja por ali, você tem como, pelo menos, reagir.
FICA A DICA!
REFERÊNCIAS
¹. TITÃS. O PULSO.
². Aldir BLANC e João BOSCO. O Bêbado e o equilibrista. Intérprete: Elis REGINA.